10
out
09

Sobre tartarugas e rumos internos

Uma das aulas mais catárticas que tive na faculdade foi sobre orientação em seres vivos. Muitos animais migratórios (esses que percorrem grandes distâncias a vôo, nado, etc) possuem um sistema de navegação interno pra se orientar. Já pensou porque os cães sempre acham o caminho pra casa, ou como as tartarugas marinhas viajam por todos os oceanos e voltam pra mesma praia que nasceram na época de botar os ovos?  (tá, é um pensamento meio biólogo nerd, mas talvez você tenha se perguntado isso quando viu “procurando nemo”.)

Esses animais já nascem com uma “bússola embutida”, e se orientam pelo campo magnético da Terra pra saber onde estão e pra onde tem que ir.

Alguns cientistas acreditam que seres humanos também têm essa capacidade, mas a vida moderna nos levou a um sedentarismo cada vez maior e principalmente, à necessidade de estarmos focados unicamente no aqui e agora, resolvendo contas e trabalhos, ignorando completamente campos energéticos insignificantes que nem vemos ou tocamos. Não é a toa que muitas pessoas se sentem literalmente perdidas na vida, sem rumo, ou indecisas em relação a que caminho tomar.

Faz sentido também, que muitas dessas pessoas sintam uma incrível vontade de viajar ao sentir que precisam se reconectar consigo pra achar o seu caminho. Fico pensando se a certeza de que caminho tomar não pode ser um sinônimo para a intuição. Se estivéssemos mais conectados com essa outra energia, com os campos da Terra, teríamos uma visão mais clara de que caminho tomar e logo, estaríamos também mais conectados com nós mesmos? Confesso que nunca tive um bom senso de direção, e quem já viajou comigo sabe disso muito bem! Numa dessas tentativas de reavivar partes instintivas do meu cérebro, fui tentando achar meu caminho …

Viagens longas e curtas influenciaram meu caráter em diferentes níveis de profundidade. Mas já que o assunto é migração e animais andarilhos, vou me focar nas andanças maiores….

A primeira de todas foi comandada por minha irmã. Uma viagem de carro pelos arredores de Munique, onde ela morava na época. Eu tinha uns 15 anos e só fui, mesmo.

baby!! esse carro de palhaço foi o veículo mais engraçado que já andei na vida.

baby!! esse carro de palhaço foi o veículo mais engraçado que já andei na vida.

Eu nem lembro quanto tempo nossa viagem demorou, porque pra mim pareceram meses, de tanta novidade…Mas acho que foram umas duas semanas…

itinerário

(Como se vê, um trajeto certeiro e bem planejado, simples e conciso, afiado, prático e direto ao ponto. Já mostrava as inclinações da minha irmã á cultura germânica. )

…á medida que cresci tive maior liberdade pra fazer meu próprio trajeto, e ainda em busca do caminho intuitivo, minha “bússola interior”, resolvi fazer caminhos menos planejados, levados por desejos internos e as forças dos encontros na estrada:

....percebi na prática que pra se chegar a algum lugar, dá-se muitas e muitas voltas....

(….percebi na prática que pra se chegar a algum lugar, dá-se muitas e muitas voltas….)

E não é que no meio do caminho, uma ilustre visita me apareceu?

 

...tartaruga-bebê!!

...tartaruga-bebê!!

A Caretta caretta sai pelos oceanos Indico e Pacifico, conhece corais super coloridos e os krills mais brilhantes, faz uma social com peixes esquisitos e come umas algas exóticas, com o tempo arranja umas tatuagens de coral no casco, aprende muito sobre todo o mar, mas acaba sempre voltando pra casa pra deixar o seu legado…

 

…apesar de não por muito tempo.

 

Me enchi de contentamento ao ver essa moça iniciando sua jornada na beira da praia. Tive  também a intuição mais forte até então: chegou a hora de voltar pra casa.


2 Respostas para “Sobre tartarugas e rumos internos”


  1. 12 12UTC outubro 12UTC 2009 às 11:05 pm

    Cara. to me divertindo muito lendo seu blog, por favoooor: não apre de escrever!

    Acho que vc tem sua bússulo interna, e acho q é algo muito instintivo, longe do pensamento, tão longe que não se consegue identificar ou saber se estamos usando de fato!
    Sabe, já pensei muito nessa coisa toda do homem e a natureza, Jung fala muito sobre isso, e cara, quanto mais longe da natureza mais longe de nós mesmos estamos, e é verdade…Acho que essa nossa vontade de viajar, sair da rotina é um impulso do homem primitivo pedindo pra voltar de volta a terra, ao selvagem, que é o nosso lugar…Mas temos contas a pagar depois né? Ô vidinha moderna…

    Vou te chamar de tataruguinha migratória, hehehe, que bom que voltou!

    Beijoteamo ;*

  2. 2 Renata
    15 15UTC outubro 15UTC 2009 às 3:39 pm

    Primaaaaan,
    Parabéns!!! Seu blog tá ficando muitoooo bom também. É de família! :) Vou favoritar lá no meu…

    Quanto ao post, tá sensacional. Me arrepiei e me identifiquei totalmente, óbvio!!! Não tenho idéia do motivo que nos faz sair do nosso “mundinho”, rumo ao desconhecido, pra se perder…mas tenho certeza que é exatamente o partir, o deixar pra trás, o sentir, o ver, o viver o desconhecido, e principalmente, o voltar pro mundinho que um dia deixamos, que nos transforma no que nós realmente somos.

    Continue escrevendo SEMPRE!
    Beijocas.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.